O portal Psicologia em Debate é elaborado e mantido por Siegfried Jorge Wehr, Doutor em Psicologia, e aborda temas relativos a relações afetivas, carreira, trabalho e stress. Sieg, como gosta de ser chamado, é psicólogo há mais de 20 anos. Leia mais...

 

              
Home Artigos 1. AUTO-ATUALIZAÇÃO E REALIDADE Qua, 14 de Novembro de 2018
1. AUTO-ATUALIZAÇÃO E REALIDADE PDF Imprimir E-mail



Muita gente boa credita que auto-realização é algo que acontece internamente e com pouca ligação com o mundo e realidade externa. Maslow, autor americano que descreveu essas características de pessoas auto-atualizadoras, enfatizou que pessoas auto-atualizadoras estão firmemente engajadas com a realidade. Ao experienciarmos este estado nos damos conta que acontece algo como uma síntese, ou suspensão da divisão 'dentro e fora', nos damos conta que nosso ser está plantado dentro da realidade. 
 
Contrariamente é a situação de uma pessoa em estado de loucura, de surto psicótico. Esta se afasta do real a tal ponto de ter que 'criar' um mundo para si mesma. Percebe coisas que as pessoas de seu convívio não percebem e até afirmam que tal realidade não existe. Assim podemos traçar um contraste considerando a realidade, uma linha onde uma das pontas se situa a psicose e na outra a auto-realização. Em algum lugar entre estes dois pontos está a neurose.

Conforme avançamos na leitura, inclusive dos outros artigos, perceberemos que a pessoa auto-atualizadora apresenta certa intimidade com o real, lida de maneira mais desenvolta com o real a tal ponto de poder construir partindo deste. 

Para quem está interessado em sua própria realização é, portanto, necessário investir no abandono gradativo do uso de mecanismos de defesa. Esses mecanismos servem para proteger o ego, a parte que administra a nossa vida consciente, de aspectos muito 'fortes' que o próprio ego não é capaz de suportar. Esses mecanismos são fartamente usados pelas crianças e por pessoas diante de um fato trágico, por exemplo.  Alguns deles são amplamente conhecidos como repressão, racionalização, projeção, formação reativa, somatização, identificação, etc. 

Quando uma realidade se apresenta de maneira muito intensa, é possível e provável que lancemos mão destes mecanismos. Isto é absolutamente normal e, em alguns casos, saudável. Um exemplo comum é quando a pessoa perde alguém especial em sua vida e se encontra num estado de dificuldade de chorar, de extravasar suas emoções. A isto damos o nome de isolamento. Separamos, neste caso, a idéia da emoção. Aceitamos a idéia, mas não lidamos com a emoção e sentimentos ligados à situação. Somos, portanto, capazes de lidar com todo o trâmite legal para resolvermos, sermos práticos, fortes diante dos outros, de nossos dependentes. E,  comumente, mais tarde, talvez alguns dias, a pessoa desaba numa crise de choro e desespero. Dizemos que 'caiu a ficha'. A pessoa se dá conta do tamanho do estrago.

Ou ainda, passamos por uma experiência muito dolorosa, traumática, como um acidente, por exemplo. Pode acontecer que a pessoa lembre de todos os fatos anteriores ao acidente e mesmo depois deste, mas não lembra do momento do acidente. A este mecanismo de defesa chamamos de 'negação'. 

Outras vezes, muito comum, é o mecanismo da projeção em que a pessoa vive intensamente certas emoções que não aceita, mas as percebe em outra pessoa. Exemplo é a criança que afirma que o pai ou mãe está com raiva dela por algum motivo quando isto não é verdade. Ou mesmo quando alguém afirma que em sua empresa todo mundo é contra ela, todo mundo quer puxar o seu tapete. Assim há inúmeros exemplos deste e de outros mecanismos de defesa usados constantemente em nossa vida.

Para desenvolvermos a auto-realização precisamos suportar melhor a realidade, fazer menor uso dos mecanismos de defesa e abordarmos a realidade de forma mais aberta, clara e sem perdermos o rumo de nossa própria trajetória. Evidentemente que isto não se faz da  noite para o dia, mas é um processo gradativo e também possível na medida em que realizamos nossas necessidades mais profundas com dignidade e respeito a nós mesmos. É pouco provável que alguém frustrado nas necessidades mais básicas consiga encarar a realidade sem distorcê-la, adequando-a de forma a poder continuar lutando e trabalhando a seu próprio favor.

Na medida em que suprimos as outras necessidades e já não precisamos nos ocupar intensamente em função de necessidades como fome, sexo, segurança, amigos, status e reconhecimento, podemos olhar com menor interferência desses desejos e necessidades a realidade que nos cerca. Podemos, e muitos aí estacionam, continuar a ver a vida do mesmo modo, continuar correndo atrás dos mesmos objetivos, continuar apressados na satisfação das necessidades que estamos acostumados e nunca sairmos disso! 

Auto-realização não é ajustamento, não é adaptação pura e simples ao meio. Conhecemos muitas pessoas bem adaptadas e ainda assim insatisfeitas com a própria vida e condição. O próprio Maslow afirma que temos necessidade da verdade. A ausência de verdade nos leva à paranóia. Portanto, é fundamental evoluir para uma percepção mais completa e integrada da realidade. 

Auto-realizar-se é conhecer de modo mais claro o real. É relacionar-se de modo mais simples com esse real e ser eficiente. Necessitamos de um ego suficientemente forte para suportar o real, um ego que supera suas crenças e se ancora na vivência e em especial na evidência do ser. Auto-realização implica em consciência do todo organísmico, consciência de seu entorno, da reversibilidade de subjetividade e objetividade. Estes são aspectos ainda complicados de colocar na forma da linguagem, mas são etapas de desenvolvimento da consciência.

Ao nos acostumarmos um pouco nesse processo de auto-atualização nos damos conta de um si mesmo presente e atuante em todo momento, para além de nossos pensamentos e emoções. O ego deixa de ser o centro da personalidade. Os pensamentos e emoções passam a seguir o si mesmo. É uma vivência diferente, de outra qualidade, do mundo, das relações com as pessoas e mesmo de nossas próprias necessidades. 

Uma ótima jornada para você, pois ela é sua!


 

Add comment


Security code
Refresh

Your are currently browsing this site with Internet Explorer 6 (IE6).

Your current web browser must be updated to version 7 of Internet Explorer (IE7) to take advantage of all of template's capabilities.

Why should I upgrade to Internet Explorer 7? Microsoft has redesigned Internet Explorer from the ground up, with better security, new capabilities, and a whole new interface. Many changes resulted from the feedback of millions of users who tested prerelease versions of the new browser. The most compelling reason to upgrade is the improved security. The Internet of today is not the Internet of five years ago. There are dangers that simply didn't exist back in 2001, when Internet Explorer 6 was released to the world. Internet Explorer 7 makes surfing the web fundamentally safer by offering greater protection against viruses, spyware, and other online risks.

Get free downloads for Internet Explorer 7, including recommended updates as they become available. To download Internet Explorer 7 in the language of your choice, please visit the Internet Explorer 7 worldwide page.

Secured by Siteground Web Hosting