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AS NOSSAS NECESSIDADES DE VIDA DO PONTO DE VISTA EXISTENCIAL PDF Imprimir E-mail

Abraham H. Maslow ficou conhecido por falar em auto-realização dedicando parte de seu estudo no mapeamento das necessidades humanas que resultou na famosa pirâmide da hierarquia das necessidades. Maslow fez parte do movimento humanista dos anos 50-60 do século passado. Seus estudos foram importantes, pois fizeram parte da abertura da psicologia para a dimensão saudável do ser humano pouco divulgada até então. Maslow critica tanto o Comportamentalismo como  a Psicanálise. A crítica ao Comportamentalismo passa pela redução do ser humano a um simples mecanismo de condicionamento, quando na verdade este ser humano pode tomar consciência e mudar seus condicionamentos mesmo contra as pressões externas.

Critica a Psicanálise por suas conclusões a respeito do ser humano estarem baseadas em observações de casos clínicos psicopatológicos e sua redução dos problemas humanos à sexualidade. Ele questionava “como é possível saber a respeito do ser humano saudável partindo da doença?” Afirmava que o ser humano era muito mais do que um aparelho psíquico (mecanicismo determinista Freudiano) que necessitava de algum tipo de conserto.

Maslow apresentava uma visão integrada do ser humano, um todo organísmico. Afirmava que todos temos a necessidade intrínseca de auto-realização, presente em nós desde o nascimento. Sua força instintiva era bem mais fraca que outras necessidades voltadas à sobrevivência. Apresenta farta argumentação da hierarquização das necessidades em sua obra.

As necessidades humanas foram assim mapeadas por Maslow (1970). Preponderantes são as necessidades de sobrevivência, portanto, as necessidades fisiológicas. Nestas necessidades incluem-se todas as que tem uma demanda diretamente orgânica, como fome, sede, higiene, excreções, respiração, sexo, etc.

Na seqüência surgem as necessidades de segurança que tem, segundo o autor, a função de garantir as necessidades fisiológicas. Neste grupo incluem-se o dinheiro, a casa, etc.

Logo após aparecem as necessidades de associação ou pertencimento. Estas buscam o objetivo de pertencer a alguém ou grupo, fazer parte de uma organização, de um bando, de uma gangue, de amigos, etc.

No quarto grupo de necessidades, segundo Maslow, estão as necessidades de auto-estima. Estas tem seu objetivo valorizar a pessoa. É o conhecido amor próprio. O auto-conceito é resultado do que a pessoa produz, isto é, tudo o que a pessoa faz para si e para os outros. A qualidade dos comportamentos, atitudes e trabalho são fundamentais uma vez que evidenciam a intenção, a eficiência e o caráter da pessoa. O status é reconhecimento atribuído por parte dos outros, competentes da área, diante de nossa atuação. Aos poucos aprendemos o critério deste reconhecimento e o internalizamos.

Muita gente boa reclama de auto-estima baixa o que pode ser atribuído a um déficit na execução de suas ações ou a internalização de valores incompatíveis com o desenvolvimento da pessoa. Daí que determinada ação pode ser avaliada como sendo menos do que o sujeito poderia e/ ou deveria ter feito em determinada ocasião resultando no déficit de auto-estima. No caso do déficit na execução da ação (quando a fez menos, ou com uma qualidade abaixo, da requerida pela situação) a pessoa “sabe” que poderia ter feito diferente. No caso de uma distorção de valores pode haver uma hipercrítica a respeito de si e dos outros. No caso onde o indivíduo trabalhou com empenho, dedicação, cuidado e foi eficiente seu auto-conceito resulta num amor próprio compatível.

Até este nível as necessidades estão marcadas pelo déficit, uma vez que são satisfeitas de fora para dentro. Por exemplo, se estou com fome e preciso comer significa que estou percebendo certa falta de nutrientes ou elementos importantes para minha saúde. O que vai satisfazer minha fome são alimentos que estão fora de mim corporalmente. Do mesmo modo preciso de pessoas, grupos e o seu reconhecimento para satisfazer as necessidades de auto-estima. Estes grupos de necessidades têm sua força pela ausência e pela sensação da falta que só poderá ser satisfeita indo ao mundo, agindo sobre ele e por ele sendo gratificados. Por isso se fala em déficit e, portanto, de motivação por deficiência. O sentido de deficiência aqui não apresenta nenhuma conotação de patologia, assim como sentir fome não é doença, mas manifestação de saúde e instinto de sobrevivência.

E, finalmente, podem surgir as necessidades de auto-realização, também chamadas de auto-atualizadoras. Estas são necessidades expressivas da natureza da pessoa, mais tênues ou com fracas manifestações se comparadas às necessidades fisiológicas. Neste ponto o ser humano pode sentir forte tédio com a situação que vive. Tem uma vida boa, tem quase tudo, mas resta uma insatisfação profunda que nenhum objeto, amor ou qualquer outra coisa possa dar conta. Se for sensível, por um lado, e astuto por outro poderá dar seqüência a sua jornada de individuação.

A polaridade aqui se inverte e a pessoa passa a ser expressão de sua natureza de forma inteligente e saudável realizando e sendo profundamente si mesmo em sua ações. Passa certamente a ser fonte de criatividade. Esta passagem pode ser gradativa, onde no nível fisiológico era apenas consumidor, agora passa a ser produtor, realizador de uma natureza que se revela paulatinamente.

A versão da Hierarquia de Necessidades compreendida e difundida após Maslow é a de uma pirâmide. Na base encontram-se as necessidades fisiológicas, logo acima as de segurança e assim sucessivamente até o topo com as de auto-realização. A hierarquia das necessidades foi apresentada em forma de pirâmide:

 

A hierarquia de Maslow pode ser apresentada da maneira como o fez a Escola Ontopsicológica através de Messa & Torrice (1991, p.565), onde a Auto-Realização aparece como abertura para o todo, para o infinito:

 

Figura 1 - Hierarquia das necessidades propostas pela Escola Ontopsicológica (Messa & Torrice, 1991), adaptado por Wehr (1999).

Os autores italianos inverteram a pirâmide de tal forma a apresentar a menor faixa para as necessidades fisiológicas, depois as de segurança e assim por diante. As necessidades de maior “volume” seriam as de auto-realização e as de menor “volume” as fisiológicas. A “faixa” atuação das necessidades fisiológicas são menores que a “faixa” de atuação das necessidades de auto-estima, por exemplo. Há muito mais para fazer com as necessidades de auto-estima do que com as fisiológicas.

Outro detalhe interessante nestes autores foi as duas linhas internas que assinalam o impacto afetivo-emotivo que cada grupo de necessidades provocaria na pessoa e o conseqüente prazer de sua satisfação.

O prazer é maior e mais duradouro na medida em que se dá em grupos de necessidades próximo ao topo da pirâmide. Nas necessidades fisiológicas o prazer tem uma intensidade e uma duração diferenciada em relação às outras necessidades, como a de auto-estima. A necessidade fisiológica, quando atendida, redunda num prazer que dura um tempo relativamente pequeno. Isto é, logo depois de atendida ficamos entediados e buscamos novos interesses.

No quadro da pirâmide tradicional a nossa compreensão parece ficar estática, departamentalizada enquanto no segundo ”modelo” parece transmitir uma compreensão mais dinâmica, mais próxima de nossa vivência.

Resumindo, quanto mais “elevada” for a necessidade maior será o impacto afetivo existencial sobre o sujeito e a sua satisfação terá a mesma proporção na vivência do prazer. Realizar necessidades de Ser (auto-realização) influenciam de maneira mais permanente que realizar necessidades fisiológicas, mas estas ainda têm preponderância sobre aquelas e continuam presentes.

A intersecção da linha X na linha Y do produto cartesiano representaria o ponto “zero” (Wehr, 1999), situação em que as necessidades por deficiência estariam suficientemente satisfeitas dando condição para a pessoa agir com maior expressividade, realizar mais plenamente seu potencial, com menor interferência de níveis inferiores (interesses pessoais). Na medida que uma pessoa está em dia com suas necessidades por deficiência pode ter maior independência para abordar, avaliar e agir centrado no problema (Maslow, 1970). A pessoa já foi egoísta ao cuidar de suas necessidades, agora pode esquecer um pouco de si para dar conta da lógica intrínseca dos problemas ou questões que procura resolver ou dar solução.

O “altruísmo” tem maiores chances de acontecer quando a pessoa percebe suas necessidades satisfeitas. É um assunto polêmico, mas estamos falando ainda de percepção, de nível de consciência. Uma pessoa faminta terá maior dificuldade de emitir comportamentos altruístas o que não quer dizer que não os emita.

De qualquer maneira, há maior liberdade no ponto “Zero”, isto é, quando a motivação por deficiência estiver apaziguada. Já sabemos que se uma pessoa trabalha apenas pelo seu salário, assim que ela conseguir um emprego com um salário maior ela mudará sem grandes dificuldades. Muito diferente é o vínculo da pessoa que, além da recompensa pecuniária, gosta da atividade que exerce.

Evidente que para galgar rumo ao topo da pirâmide uma pessoa precisa de uma boa capacidade de discriminação de suas motivações e conhecer a sociedade em que vive. Não basta apenas saber o que até aqui abordamos, é preciso inteligência (não necessariamente diplomas) para prosseguir, desenvolver, refinar esta habilidade discriminatória das oportunidades, das possibilidades que a vida vai colocando no nosso caminho. Para tanto, podemos e devemos usar todos os recursos disponíveis como a imaginação, os sonhos, a fantasia, o senso de realidade e, principalmente a coragem de ser si mesmo e ousar!

Desejo a você sucesso na sua jornada! Embora você possa estar rodeado de pessoas ótimas, só você pode fazer a caminhada, portanto estamos sós na responsabilidade desta empreitada e sem desculpas! 

 

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