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Home Artigos 12. AUTO-ATUALIZAÇÃO E A DISCRIMINAÇÃO ENTRE MEIOS E FINS; CERTO E ERRADO Qua, 14 de Novembro de 2018
12. AUTO-ATUALIZAÇÃO E A DISCRIMINAÇÃO ENTRE MEIOS E FINS; CERTO E ERRADO PDF Imprimir E-mail



Cada um de nós sabe quando age com intenção construtiva e quando age com intenção destrutiva. Todos temos essa capacidade mais ou menos desenvolvida. Não é automático, mas basta observar-se e, com um pouco de honestidade, podemos perceber claramente a intenção que está em ação. Os comportamentos, os modos de expressão desta intenção podem variar muito, assim como um suicida pode conseguir seu intento por vários caminhos. Para quem está observando de fora, às vezes, é difícil discriminar e compreender esta intenção. 

Outras vezes apenas deixamos que nossas reações e impulsos vazem para comportamentos e ações duvidosas. Muita gente vive a vida inteira apenas reagindo aos estímulos que o ambiente vai apresentando. Raramente faz uma escolha consciente. Acostumamo-nos tanto com este estilo de viver e nos tornamos quase que completamente determinados pelas circunstâncias - no bem e no mal.

Reagimos e, muitas vezes, apenas reagimos, o que quer dizer que nossa agenda é determinada de fora, pelos outros, podendo causar tantos estragos para nós e para os outros. Há situações em que ao querer construir algo bom, precisamos remover antigas estruturas para assim construir novas estruturas mais funcionais à vida como um todo. Destruir não é errado por definição e o mesmo acontece com o construir. O ponto é: o que estou destruindo e o que estou construindo? Se destruo, sou capaz de construir algo melhor, mais funcional à vida em seu lugar? Ou sou daqueles que apenas criticam, que destilam seu veneno para depois bater em retirada sem deixar algo melhor no lugar?

Sou capaz de ser função de vida para mim e para meu ambiente?  Incluo o ambiente (pessoas, situações, organizações, natureza, etc) porque não vivemos sozinhos. Quem acredita que pode realizar a si mesmo sem ser função de vida para os grupos a que pertence e ao seu entorno, vive uma saga esquizofrênica, uma separação que não o deixará vivenciar a totalidade e a plenitude! Antes, continua dependente e em débito com o ambiente justamente pela sua negação.

Nós vivemos algo assim com a industrialização de tal modo que estamos próximos de chegar a condições insuportáveis para as próximas gerações. Estamos plantados e fortemente enraizados no mundo. Cuidar só de si (narcisismo) ou não se interessar pelo entorno, os outros e o meio-ambiente é um suicídio - como em um dos finais do Mito de Narciso contado pelos gregos. Vivemos numa cultura tradicionalmente narcisista e não importa se desempenhamos o papel de "Narciso" ou de "Eco", somos ainda carentes de autonomia e deficientes na vida. 

Então se decidirmos construir nossa vida, precisamos também compreender o que vem antes e o que vem depois, o que são recursos e o que são os fins, os objetivos. Muita gente de boa vontade troca os pés pelas mãos e acaba vivendo experiências bastante estressantes e desgastantes, perdendo o rumo completo de suas vidas. Não dá para construir uma casa boa, sólida, segura e bonita começando pela decoração. É estranho esse tipo de raciocínio. É preciso começar pelo alicerce, depois as paredes, telhado, instalações, reboco, aberturas, pisos e revestimentos, etc. 

Transportando essa analogia para a carreira, tem sempre o problema da educação - que a rigor deveria ser contínua - que é a base. O solo, o terreno são as nossas capacidades, talentos, inclinações e preferências. Esse solo, podemos dizer, trazemos dentro de nós, mas descobrimos na medida em fazemos, exercitamos, agimos e estudamos. Por exemplo, em ciência, em geral, a contribuição podemos dar se dá depois de nos apropriarmos daquilo que a humanidade já conquistou. Não precisamos inventar a roda, é só utilizá-la. Fico, por um lado, entristecido pela quantidade de pessoas que 'relativizam' e muitas vezes desdenham do conhecimento e do estudo. E por outro lado, fico muito contente em acompanhar pessoas que se descobrem e se jogam na aventura da auto-realização, mergulhando nos estudos, no trabalho, construindo amizades e vivendo seus amores. 

Saber, discriminar o que é certo e o que não é, o que vem primeiro e o que vem depois, entre meios e fins, entre recursos e objetivos é uma vantagem competitiva importante e fundamental na jornada de uma vida feliz. 

O que muda, o que nos adoece e o que nos torna saudáveis é o que fazemos com nossa vida, com nosso dia, com as pequenas coisas de cada momento. O fazer requer conhecimento ou uma consciência reflexiva capaz de se perceber agindo, sendo, fazendo. Isto não é pouca coisa, é muito! Dentro do contexto que apontamos brevemente acima, implica uma mudança radical de atitude. Significa deixar de ser reativo para ser reflexivo e proativo no sentido de ser facilitador de vida. 

Alguns poderão compreender a expressão "facilitador de vida" como a lei do menor esforço. É e não é. Como diz um ditado: "A eficácia e a eficiência são a preguiça dos inteligentes". Nem sempre o que é mais cômodo traz o melhor resultado. "Trabalho mal feito é trabalho dobrado". Neste caso, é preciso ressaltar não apenas o prejuízo pecuniário como a chateação e o stress de fazer tudo de novo!

Resumindo, precisamos desenvolver auto-conhecimento, planejamento, flexibilidade e perseverança para chegarmos à auto-realização. Parece difícil e é, mas é facilitado pela nossa tendência natural, nossa vocação que nos "chama", nos convida e nos empurra à totalidade, para a plenitude e para a auto-realização. Em última análise, é descobrir valores de vida, de vitalidade, em si e no outro, evoluir para os valores últimos de nossa existência. É usar todo o Ter para Ser. A auto-realização ou auto-atualização é aperfeiçoamento de expressão do que Sou e exige um equilíbrio entre disciplina e abertura para o inusitado. Superadas as necessidades dos outros grupos de necessidades, segundo Maslow, podemos descobrir a alegria, a bondade de ser si mesmo, ser segundo o modo como a natureza faz seu lugar aqui onde existo. 
 

 

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